França autoriza tratamento à base de cannabis para esclerose múltipla
Medicamento, já comercializado na Grã-Bretanha e Alemanha, é recomendado a pacientes que não responderam à terapia convencional
Sativex: Spray a base de maconha é indicado para tratar esclerose múltipla (GWPharma)
A França autorizou nesta quinta-feira o lançamento comercial do Sativex, um spray bucal que contém substâncias derivadas da cannabis e que é prescrito para aliviar as dores ocasionadas pela esclerose múltipla. A decisão "é uma etapa prévia à comercialização do produto, que será realizada por iniciativa do laboratório", declarou o Ministério da Saúde do país. O spray já é comercializado em outros países europeus.
A causa da esclerose múltipla ainda é desconhecida e não há cura para a doença. Sabe-se que ela ocorre quando há danos ou destruição da mielina, uma substância que envolve e protege as fibras nervosas do cérebro, da medula espinhal e do nervo óptico. Quando isso acontece, são formadas áreas de cicatrização, ou escleroses, e surgem diferentes sintomas sensitivos, motores e psicológicos.
O Sativex, produzido pelo laboratório britânico GWPharma, combina as duas principais substâncias extraídas da cannabis: o tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD). O produto foi autorizado em 2010 por órgãos reguladores da Grã-Bretanha como uma terapia de segunda linha para tratar espasticidade em pacientes com esclerose múltipla — ou seja, em indivíduos que não responderam às drogas principais. A espasticidade, um sintoma comum da doença, ocorre quanto há um aumento do tônus muscular, podendo desencadear espasmos involuntários, distúrbios de sono e dores. Depois da Grã-Bretanha, outros países, entre eles Espanha, Alemanha e Dinamarca, segundo a farmacêutica, aprovaram o produto.
Na França, o Sativex será comercializado por outro laboratório, o Almirall. Segundo o Ministério da Saúde do país, o tratamento com o spray deverá ser iniciado por médicos de hospital.
Contrários — Um artigo científico publicado em dezembro de 2012 no periódico britânicoDrug And Therapeutics Bulletin afirmou que não há evidências que comprovem a eficácia da maconha na redução dos sintomas da esclerose múltipla, como outras pesquisas haviam sugerido. Para os autores do texto, os estudos feitos sobre o assunto até então são limitados.
Estreia do filme "Ninfomaníaca" volta a levantar discussão. Recuperado, engenheiro que sofreu da compulsão lembra que sexo era forma de anestesiar problemas da sua vida. Após sensação de "culpa e vergonha", solução era se anestesiar de novo: "Aí é roleta russa"
Cena de "Shame", com Michael Fassbender, que gira em torno da vida de um viciado em sexo
“Geralmente temos um pico de procura quando as pessoas leem matérias que expõem o que é dependência sexual, como o caso do Michael Douglas (ator americano que confessou ser viciado em sexo e se submeteu a tratamento). A diferença entre a dependência química e a de comportamento é que esse conceito não é tão definido. As pessoas nem sempre se dão conta de que há um problema”, diz Aderbal Vieira Junior, psiquiatra e responsável pelo setor de tratamento de dependências de comportamentos do Proad (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes), da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Além dos escândalos que já envolveram astros como Douglas, o também ator David Duchovny e Tiger Woods, filmes também ajudam a trazer luz sobre o vício por sexo e suas consequências. Há dois anos, esse papel coube a “Shame”, dirigido por Steve McQueen e estrelado por Michael Fassbender, que vive um sujeito, Brandon, bem sucedido, mas cheio de compulsões sexuais que lentamente o levam para o fundo do poço.
Apesar de “Ninfomaníaca”, novo – e polêmico – trabalho de Lars von Trier, ser dividido em duas partes e a primeira, em cartaz a partir de hoje no Brasil, seja considerada cômica e menos sombria do que a segunda, prevista para estrear este ano, a personagem central, Joe (Charlotte Gainsbourg), sofre das mesmas angústias e chega a repetir em alguns momentos que é “um ser humano horrível”.
HOMENS SÃO MAIS DEPENDENTES?
“Shame” e “Ninfomaníaca” são protagonizados por atores de sexos opostos, mas, de acordo com Aderbal, um levantamento feito pelo Proad dentro dos casos atendidos mostrou que 95% dos dependentes são do sexo masculino. “Eu ficaria muito surpreso se isso não se refletisse na população, as mulheres tendem a ser mais dependentes amorosas”, comenta. O psiquiatra diz ainda que o mapeamento realizado por eles indica que a maioria dos pacientes procurou ajuda por volta dos 34 anos e que boa parte deles é instruída: “Já vi salas onde metade era graduada e a outra metade era pós-graduada, tinha gente com mais escolaridade do que eu”.
Na opinião particular de “Rico”, espécie de porta-voz do Dasa (Dependentes de Amor e Sexo Anônimos), há um número maior de homens atendidos porque a mulher ainda não tem liberdade e coragem para se assumir. “Na nossa sociedade machista, mesmo o cara que vai pedir ajuda, ele é o tal porque pega todo mundo, já a mulher tem que assinar embaixo uma outra história, que é complicada.” No caso do Dasa, ele afirma que os grupos dos encontros são bem divididos entre homens e mulheres por conta do anonimato: “As pessoas sabem disso e vão lá por isso”.
“É ROLETA RUSSA”
O início de tudo para Guilherme*, hoje com 43 anos, foi o término de dois relacionamentos quando ainda era adolescente, nos anos 90. Da “pele para fora”, como diz, sua vida era normal: ia para a faculdade e seguia estudando. Da “pele para dentro” era dor e solidão. Ao perceber que havia algo de errado, o engenheiro lembra que não conseguia manter uma relação saudável com ninguém e tinha um sentimento de anorexia no sentido de que sofria de uma “compulsão do não”: “Digo ‘não’ para ser feliz, digo ‘não’ para ter uma sexualidade saudável”.
A “anestesia” para isso veio por meio do sexo, como a masturbação compulsiva e relações sexuais com diversas pessoas em um curto espaço de tempo. Para se anestesiar da “culpa e vergonha” que vinha horas depois ou no dia seguinte, Guilherme lembra que a solução era repetir tudo de novo: “Aí é roleta russa. Chega uma hora que fazer a mesma coisa já não dá mais barato, você se acostumou. Quanto maior o risco, maior o barato”. Ele revela ter ouvido histórias de pessoas que abandonaram o trabalho, acabaram demitidas, contraíram DSTs, acabaram na delegacia. Alguns – e ele também – chegaram a frequentar um local religioso, em vão. “Você passa um período ‘limpinho’, mas uma hora você volta. É que nem pavio de vela, volta a queimar de onde parou.”
Em busca de ajuda, ele frequentou as reuniões do Dasa dos 18 aos 23 anos. O engenheiro se diz livre e distante dos antigos padrões há muito tempo. "Consegui desenvolver todas as áreas da minha vida de forma saudável. Tenho uma vida financeira legal, sou executivo, completei 18 anos de casamento. Acho que, mais importante, meu relacionamento comigo, com minhas dores, foram resolvidas. Salvou minha vida.”
Divulgação
Cartaz de "Ninfomaníaca", filme dirigido pelo dinamarquês Lars von Trier e em cartaz no Brasil
REUNIÃO
O iG acompanhou uma reunião de dependentes anônimos e observou alguns dos pontos destacados pelo psiquiatra. Das nove pessoas presentes ao encontro, promovido semanalmente, todos aparentavam ter passado dos 30 e poucos anos e sete delas eram homens. Assim como em encontros de outros tipos de dependências, a disposição das carteiras de aspecto escolar, daquelas com apoio apenas para o braço direito, é em forma de círculo, de forma que seja possível ver os rostos de todos.
Quem chega é bem vindo, e logo se percebe que alguns já frequentam a reunião há um bom tempo e se conhecem dali, enquanto para outros é a primeira vez. Ninguém é obrigado a falar, mas quando falam, seguem o protocolo de se apresentar – mesmo quando são ouvidos pela segunda, terceira, quarta vez –, ao que todos respondem, e ao final de cada fala dizem “24 horas de abstinência” ou expressão similar.
Depoimentos são trocados, e a impressão é de que por mais que não seja a primeira reunião da maioria, os dependentes conversam sobre experiências do passado com a ideia de passar aos recém-chegados a sensação de que ninguém ali está sozinho. Estão todos juntos no mesmo barco, alertando uns aos outros sobre os perigos do vício em si, das dificuldades de não sofrerem uma “recaída” e de agir, muitas vezes, contra o que desejam. E talvez mais importante do que falar, é ser ouvido, enxergar a compreensão no rosto de quem ouve histórias e não se choca, muito pelo contrário, sabe exatamente o que o outro passou ou está passando.
VIDA SEXUAL MUITO ATIVA x COMPULSÃO SEXUAL
Uma das dúvidas mais recorrentes, segundo três especialistas consultados, é a confusão entre ter – ou desejar ter – uma vida sexual muito ativa e uma compulsão sexual incontrolável. “Tem que ter muito cuidado quando fala em viciado em sexo porque muitas pessoas classificadas como viciadas têm, na verdade, um apetite maior que a média. Não quer dizer que sejam viciadas”, diz Sandra Lima Vasques, psicóloga e consultora há mais de 20 anos do Instituto Kaplan, voltado para o tratamento terapêutico de dificuldades de cunho sexual entre a população carente.
“Tem gente que confunde porque quer sexo todo dia ou porque tem uma frequência alta, de três a quatro vezes por semana. Não tem nada a ver. Compulsão é gastar mais de 12 horas por dia procurando coisas relacionadas a sexo, é gastar o que ganha em sexo, é parar o que está fazendo para se masturbar, é uma vida voltada ao sexo”, explica Carla Cecarello, psicóloga e coordenadora do Projeto AmbSex. “A questão não é de frequência, é de qualidade”, completa Aderbal.
E quando o comportamento passa a ser um “sintoma” do vício por sexo? Aderbal, Sandra e Carla são unânimes: quando há “prejuízo”. Para o psiquiatra, existem três fatores que ajudam a identificar tal comportamento. Em primeiro lugar, o usuário sente que está perdendo seu poder de escolha, age não quando quer, mas porque “alguma força dentro dele o impele a fazer aquilo”; em segundo, há o prejuízo nas relações afetivas, no trabalho; e, por último, ocorre o “empobrecimento” da pessoa, o sexo não enriquece sua “experiência vivencial”.
“[Essas pessoas] acabam sofrendo um prejuízo. Colocam o sexo acima de tudo, dar uma escapada uma vez ou outra do relacionamento é uma coisa, mas se você faz isso todos os dias, é muito provável que seu par descubra. Você corre um risco desnecessário de vida, acaba no meio de um lugar em que habitualmente não iria. Elas não conseguem ter limite. Precisam de ajuda”, conta Carla. Em “Shame”, por exemplo, em seu surto final, Brandon, que durante a maior parte do filme dá a entender que é heterossexual, vai para uma casa noturna GLS, onde se envolve com outro homem.
Carla observa ainda que outras compulsões, por apostas, comida, gasto excessivo de dinheiro, alcoolismo e drogas, podem servir de ponte para o vício pelo sexo. Aderbal concorda: “Existe um ditado na psiquiatria que diz que o principal fator para você ter uma doença psiquiátrica é ter outra, quem tem uma está mais predisposto a ter uma segunda, quem tem duas, pode ter uma terceira, e assim por diante. É mais frequente em casos de depressão, ansiedade, mas não é regra”.
TRATAMENTO
Quando se fala em vício ou compulsão sexual, se fala em tratamento, mas não em cura. Os mais comuns são terapia com acompanhamento profissional, grupos anônimos e medicação, este último aplicado em duas circunstâncias, afirma Aderbal Vieira. “Quando a pessoa tem outro problema, quando está deprimida, o tratamento é farmacológico. Em casos muito raros, quando o paciente está subindo pelas paredes, está muito descontrolado, posso usar a medicação para sintomaticamente reduzir sua libido, dar uma medicação que tem esse efeito colateral.”
No entanto, há muita pesquisa a ser feita. Aderbal informa que o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), referência para psicólogos e psiquiatras, já possui uma categoria voltada para o impulso sexual, mas “ainda existe uma solidez suficiente sobre quais critérios serão adotados para ser impulso”.
“Rico” defende que o vício por sexo seja encarado como o consumo excessivo do álcool. “A humanidade enxerga o alcoolismo como doença e trata de outra forma. A gente espera que façam o mesmo com o sexo. Um dia as pessoas vão levantar a bandeira amarela antes de destruírem suas vidas completamente”, diz o porta-voz do Dasa.
Neste dia 11 de janeiro, o Blog do PROAD
completa um ano de existência e podemos afirmar, sem medo de errar, que se
trata de um grande sucesso. Neste ano, atingimos mais de 50 mil acessos e quase
mil seguidores no Facebook. Somamos cerca de 170 postagens, que são conferidas
por internautas do Brasil, de nossos vizinhos da América Latina e por leitores
dos Estados Unidos e da Europa.
Textos originais se mesclam a uma seleção dos
mais variados tipos de notícias, vídeos e artigos acerca do universo das drogas
e da dependência ( Química e Não química ), buscando trazer, para os que nos
acompanham, material para a construção de um olhar crítico sobre o assunto.
A compreensão psicodinâmica e a ética da
Redução de Danos, os dois pilares que norteiam a visão do PROAD, são assuntos
predominantes nas nossas postagens, buscando disseminar nossa visão não só do
tratamento da dependência, mas também de como devem ser as políticas públicas e
de prevenção. Essas práticas, que buscam compreender o usuário e o dependente
como seres humanos que vão muito além do seu uso de drogas, que buscam abordar
a integralidade e a complexidade do ser em todos os seus sentidos, nos parecem
o caminho mais adequado para a construção conjunto de respostas para a questão
das drogas.
Além disso, um outro ponto de atenção do
serviço do PROAD é a atenção as dependências comportamentais, de forma que o
Blog do PROAD, neste período de um ano, buscou trazer à tona tais discussões e
favorecer que os internautas tenham acesso de primeira linha relacionado as
dependências comportamentais, tais como a dependência de jogos, compras,
internet, entre outras.
Sem dúvida temos muito a trilhar e o
Blog do PROAD mantém seu compromisso de colaborar com a divulgação de material
de qualidade, que auxilie no debate e que fomente a discussão. Agradecemos a
todos que nos enviaram seus textos e esperamos contar cada vez mais com novas
contribuições.
Golfinhos usam toxina liberada por peixe como um tipo de droga
Comportamento foi flagrado por câmeras camufladas durante gravação de um documentário da BBC
A toxina utilizada pode ser mortal, mas os animais parecem saber liberá-la na quantidade certa (Chris McGrath/Getty Images)
Câmeras movidas por controle remoto, disfarçadas de tartarugas marinhas ou de peixes, captaram um novo comportamento entre jovens golfinhos: utilizar uma substância liberada por uma espécie de tetraodontídeo (conhecido como baiacu ou peixe-balão) como um tipo de entorpecente. Imagens feitas pelas câmeras mostram os animais passando o peixe uns para os outros, e agindo de forma estranha em seguida.
A toxina liberada por esses peixes pode ser mortal em quantidades elevadas, mas os golfinhos parecem ter descoberto uma forma de fazer a presa liberar apenas a quantidade necessária para produzir o efeito narcótico.
Rob Pilley, zoológo que acompanhava a equipe, disse ao jornal inglês The Sunday Times que, após ingerir a substância, os animais apresentam um comportamento peculiar, flutuando com o bico na superfície da água, como se estivessem fascinados com o próprio reflexo. Esse comportamento foi capturado pelos produtores de um documentário da BBC, Dolphins - Spy in the Pod, que tem a estreia prevista para 2 de janeiro.
Antônio Geraldo da Silva: A derrota do Brasil para o crack
Neste mês, o programa Crack, É Possível Vencer, do governo federal, completou dois anos. No entanto, infelizmente, a vitória não é uma realidade. Nem mesmo está próxima.
O ministro da Justiça disse que o programa foi o segundo em verbas aplicadas pela pasta da qual é titular. A afirmação é assustadora, pois dos R$ 4 bilhões prometidos para o combate ao crack, apenas R$ 368 milhões foram de fato empregados.
Recente pesquisa da Universidade Federal de São Paulo estima em 2,8 milhões de usuários de crack em todo o país. Esse número dobra a cada dois anos.
Afinal, como as autoridades estão enfrentando esta que já é a mais grave epidemia da história recente do Brasil? Trata-se de uma derrota em três frentes: política, estratégica e de saúde pública.
Política porque, segundo deputados da base aliada da presidente Dilma Rousseff, apesar de o assunto ser uma prioridade, há resistência interna dentro do próprio governo que ela lidera.
O segundo escalão do Ministério da Saúde é contra o programa Crack, É Possível Vencer, inclusive defendendo a liberação das drogas. No Ministério da Justiça, dois secretários tiveram que deixar suas funções depois de declarações desastrosas acerca do assunto. Uma torre de Babel: há uma corrente ideológica ligada ao governo que defende o contrário do que a presidente fala.
Se a articulação política é uma questão grave, a estratégia de proteção de fronteiras é ainda mais urgente. O Brasil não planta uma única folha de coca. Como então temos tanta droga circulando no país?
Depois que Evo Morales –pasme, presidente da Confederação dos Cocaleiros– assumiu a Presidência da Bolívia, a área plantada de coca aumentou quatro vezes, totalizando quase 50 mil hectares. Sua política de liberar o plantio por lá criou um pico do consumo do crack por aqui.
Além disso, o Uruguai acaba de legalizar a maconha, sem ninguém ter certeza de como isso impactará na saúde e na segurança do país e, em última instância, do continente. A maconha não é uma droga simples. É uma bomba de aditivos e componentes químicos que causam comprovados transtornos mentais.
Visca
Outros países que fizeram movimentos semelhantes foram obrigados a recuar. A Suécia, por exemplo, é o país que mais reprime o uso de drogas e conseguiu eliminar a tempo a epidemia de crack que tomou conta do país logo após a malsucedida legalização das drogas.
O terceiro escorregão do governo ocorre no terreno da saúde pública. A educação é capenga. A Universidade de Michigan fez um estudo com a duração de 35 anos sobre o consumo de maconha nos Estados Unidos. Nesse período, notaram que quanto maior a percepção do risco, menor o consumo. Ou seja, informação é fator primordial. Quando há informação cruzada –de que a maconha não faz mal–, aumenta o consumo e os números de dependentes.
Cerca de 37% dos jovens que usam maconha ficam viciados. É uma loteria cruel, especialmente com essa faixa etária, ainda não madura o suficiente para ter a dimensão das consequências dos seus atos. E que não tem acesso às informações das verdadeiras ações deletérias dessa droga maldita.
Há uma incompreensão de que a dependência química é de altíssima complexidade. Enquanto o tratamento da dependência de crack no sistema privado é digno e obtém boa resposta, o dependente pobre está entregue à própria sorte ao despreparo da maioria dos serviços disponíveis na rede pública.
O governo reconhece que ainda não entendeu o problema do crack. A política pública não pode ser só internação compulsória, pois parece apenas a preocupação em "limpar as ruas". Qual é a consequência do tratamento? O que fazer com esses dependentes depois da internação? Como reinseri-los na sociedade de forma produtiva? Quais as diretrizes de tratamento?
A Associação Brasileira de Psiquiatria já se colocou e se coloca à disposição do governo federal para esclarecer dúvidas e colaborar nas diretrizes a serem seguidas. Até agora, nada. Devem saber o que estão fazendo.
A única constatação possível é que o Brasil enxuga gelo quando o assunto é o combate ao crack e outras drogas.
ANTONIO GERALDO DA SILVA, 50, é presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)
Artigo da Folha, para vê-lo no próprio site, clique aqui.