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19/07/2014

Em carta aberta, medicina da USP defende reclassificação do canabidiol

Em carta aberta, medicina da USP defende reclassificação do canabidiol

Em carta aberta enviada a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), um grupo de professores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) defende a reclassificação do canabidiol, substância química encontrada na maconha e que, segundo estudos científicos, tem grande potencial terapêutico neurológico.
O canabidiol circula entre as substâncias vetadas pela Anvisa no Brasil. Em maio, uma reunião da Diretoria Colegiada do órgão, em Brasília, discutiu se o canabidiol seria retirado da lista de substâncias de uso proscrito para entrar para a lista de substâncias de controle especial (comercializado com receita médica de duas vias). Porém um dos diretores pediu vista do processo, o que adiou a decisão.
Segundo a assessoria de imprensa da Anvisa, uma nova sessão está prevista para acontecer em agosto.
Atualmente, remédios que contém a substância só são utilizados por pacientes que possuem autorização especial para importação concedida pelo próprio diretor da agência ou ainda sentença jurídica com a mesma finalidade.
O documento é assinado pelos professores Antonio Waldo Zuardi, José Alexandre de Souza Crippa, Jaime Eduado Cecílio Hallak e Francisco Silveira Guimarães, que há mais de 35 anos pesquisam os avanços do composto.
No texto, o grupo, baseado em trabalhos científicos, considera que “desde os primeiros estudos com o CBD, em humanos, sabe-se que ele não produz os efeitos psicoativos típicos da planta Cannabis sativa, o que tem sido exaustivamente confirmado nesses 40 anos de estudo com o composto. Além disso, está bem estabelecido que o CBD antagoniza os principais efeitos psicoativos da planta Cannabis sativa.
Segundo os professores, “inúmeros estudos em animais e humanos têm mostrado que o suo agudo ou crônico do CBD é desprovido de efeitos tóxicos e de efeitos adversos significativos. Existem fortes evidências de que o CBD possui um perfil de efeitos com enorme potencial terapêutico, que inclui efeitos: antiepiléptico, ansiolítico, antipsicótico, neuroprotetor, anti-inflamatório, em distúrbios do sono, entre outros.”
O grupo defende ainda que pesquisadores já obtiveram o canabidiol desprovido de uma substância chamada Delta-9 tetrahidrocanabinol (THC). Em maio deste ano, o THC foi citado pelo diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, que disse que a reclassificação do canabidiol não necessariamente facilitaria a importação dos medicamentos à base da substância, porque muitos desses remédios, segundo ele, contêm outros derivados da maconha que continuam banidos no Brasil, como o THC.

Katiele Fischer e Norberto Fischer com Anny, de 6 anos, portadora da rara síndrome CDKL5. Eles conseguiram na Justiça direito de usar o canabidiol (Foto: Eduardo Carvalho/G1)
Katiele Fischer e Norberto Fischer com Anny, de 6
anos, portadora da rara síndrome CDKL5. Eles
conseguiram na Justiça direito de usar o canabidiol
(Foto: Eduardo Carvalho/G1)
Na mesma época, o diretor-adjunto da Anvisa, Luiz Roberto Klassmann, disse ao G1 que a reclassificação poderia acontecer muito em breve, porque já existiriam evidências científicas suficientes que comprovam a eficácia da droga e sua segurança para uso terapêutico.
Ainda segundo ele, a partir do momento que o canabidiol deixasse de ser proscrito, problemas de barreira alfandegária acabariam. No entanto, Klassmann disse que era preciso vencer a barreira do preconceito e estigma do uso da maconha medicinal.
Recentemente, a discussão sobre a reclassificação da substância ganhou repercussão com o caso da menina Anny, de 6 anos, portadora da síndrome CDKL5. A doença genética, que provoca deficiência neurológica grave e convulsões, tem como alternativa de tratamento um remédio à base do canabidiol. Segundo os pais dela, Katiele Fischer e Noberto Fisher, Anny chegou a ter 80 convulsões por semana.
Em abril deste ano, o juiz Bruno César Bandeira Apolinário da 3º Vara de Federal de Brasília, permitiu a importação do remédio à base da maconha pelos pais de Anny. De acordo com o casal, o medicamento reduziu as crises de convulsões e trouxe mais qualidade à vida da menina.
Leia a carta na íntegra:
Nosso grupo de pesquisa estuda o Canabidiol (CBD) há mais de 35 anos e durante esse período tem contribuído significativamente nos avanços observados com este composto e acompanhado atentamente a literatura científica disponível sobre o tema. Dessa forma, achamos ser nossa obrigação colaborarmos com alguns subsídios, no momento em que essa Agência discute a reclassificação do CBD, atualmente na lista de substâncias proscritas. Listamos abaixo algumas considerações:
1. O canabidiol (CBD) é um produto natural, que pode ser extraído da planta Cannabis sativa.
2. Algumas companhias farmacêuticas produzem extratos de cepas da planta ricas em CBD. Estas podem atingir altos níveis de pureza. Entretanto, como para todo extrato, não é possível alcançar 100% de pureza.
3. O Prof. Raphael Mechoulam, que identificou pela primeira vez a estrutura química do CBD descreveu um método de obtenção deste canabinóide na forma cristalina (Ref. 1). Como informado pelo Prof. Mechoulam, especificamente para esse documento, nessa forma cristalina seu laboratório tem obtido o CBD com um grau de pureza de 98,9 a 99,9 e desprovido de Delta-9 tetrahidrocanabinol (THC-  Anexo 1).
4. Na forma cristalina o CBD pode ser obtido também por síntese e existe pelo menos um laboratório Europeu que fornece este composto para pesquisa em animais e humanos, com seu método de síntese aprovado pela Agência Americana Food and Drug Administration (FDA). Este CBD sintético não deriva da Cannabis, não contem outros canabinóides, incluindo o THC ou qualquer outro constituinte psicoativo (Anexo 2).
5. Desde os primeiros estudos com o CBD, em humanos, sabe-se que ele não produz os efeitos psicoativos típicos da planta Cannabis sativa (Ref. 2, 3), o que tem sido exaustivamente confirmado nesses 40 anos de estudo com o composto (Ref.4). Além disso, está bem estabelecido que o CBD antagoniza os principais efeitos psicoativos da planta Cannabis sativa (Ref. 5).
6. Inúmeros estudos em animais e humanos têm mostrado que o uso agudo ou crônico do CBD é desprovido de efeitos tóxicos e de efeitos adversos significativos (Ref. 6).
7. Existem fortes evidências de que o CBD possui um perfil de efeitos com enorme potencial terapêutico, que inclui efeitos: antiepiléptico, ansiolítico, antipsicótico, neuroprotetor, anti-inflamatório, em distúrbios do sono, entre outros (Ref.5).
Em face dessas considerações, estamos certos que não se justifica a permanência do CBD na lista de medicações proscritas. Assim, por uma questão de justiça e fidelidade aos novos conhecimentos fornecidos pela ciência defendemos que o CBD seja reclassificado. Destacamos aqui, que isto não se confunde com o registro desta substância para uso rotineiro, o que implica num processo diverso, que não está em discussão no momento.
Acreditamos que a reclassificação da substância está longe de ser inócua. Essa decisão irá facilitar a condução de pesquisas e mais amplos ensaios clínicos com o CBD, que podem confirmar seu potencial terapêutico, cumprindo exigências necessárias para o registro da substância como medicamento. Ao lado disso, esta medida irá facilitar o trâmite para a importação do CBD e a sua utilização no chamado uso compassivo (“disponibilização de medicamento novo promissor, para uso pessoal de paciente e não participante de programa de acesso expandido ou de pesquisa clínica, ainda sem registro na Anvisa, que esteja em processo de desenvolvimento clínico, destinado a pacientes portadores de doenças debilitantes graves e/ou que ameacem a vida, sem alternativa satisfatória com produtos registrados no país”- Ref. 7).
Desejando ter contribuído com essa Agência, despedimo-nos,
Atenciosamente
Prof. Dr. Antonio Waldo Zuardi
Prof. Dr. José Alexandre de Souza Crippa
Prof. Dr. Jaime Eduado Cecílio Hallak
Prof. Dr. Francisco Silveira Guimarães
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.
Saiba mais aqui.

16/07/2014

Após seis meses, prefeitura de SP prepara nova fase de programa contra crack

Após seis meses, prefeitura de SP prepara nova fase de programa contra crack

Seis meses após seu início, o programa De Braços Abertos da Prefeitura de São Paulo, enfrenta o desafio de ressocializar usuários de crack e se prepara para entrar uma nova fase.

O programa, que começou em janeiro de 2014 na região da Luz, no centro de São Paulo, recebeu nesta quinta-feira a visita do príncipe Harry.
Desde seu início, a iniciativa beneficiou usuários como Evandro Martins, de 28 anos, que se mudou para um quarto de hotel na área chamada de "Cracolândia" e está recebendo remuneração por trabalho diário. O programa hospeda os participantes em oito hoteis da região.
Em fevereiro do ano passado, Evandro foi à região para gastar "só R$ 4" em crack e não conseguiu sair até agora. Após entrar no programa e trabalhar como varredor de ruas e bibliotecário, diz se sentir mais seguro.
"É um dinheiro está lá toda a semana. Antes eu gastava tudo o que eu tinha em crack, agora já estou conseguindo comprar roupas e visitar minha mãe em Santos. Também estou usando menos crack".

Redução de danos

Ele é um exemplo do que a prefeitura define como redução de danos. O programa é uma das grandes apostas da administração de Fernando Haddad e inclui, além dos hoteis, três refeições e uma renda de R$ 15 por dia para cada participante.
Os inscritos devem cumprir pelo menos quatro horas de trabalho e duas horas de capacitação por dia. Também podem participar de atividades culturais em horários noturnos e durante os fins de semana.
O objetivo, segundo as autoridades, é "recuperar a dignidade" dos usuários que vivem nas ruas e criar condições para que eles busquem tratamento médico por iniciativa própria.

Consideramos um sucesso o fato de as pessoas estarem aderindo ao programa e tentando concretizar uma nova opção de vida. Mas é um processo lento e complexo, a gente dá a estrutura e eles vêm com o esforço", disse à BBC Brasil a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Luciana Temer.
Ela afirma que o programa já está dando resultados e que por isso passará por uma avaliação "mais fina" para entrar na nova fase, onde aqueles que estão apresentando bons resultados serão encaminhados a um emprego formal.
Dos 422 cadastrados, 23 receberam atestado médico de aptidão para o trabalho no último mês e outros 122 estariam em tratamento contra o vício.
"Esses vão para um outro espaço, fora daquela região, onde continuarão sendo assistidos", disse a secretária.
De acordo com Temer, a segunda fase acontecerá ainda este ano e abrangerá até cem pessoas (o projeto original continua com novos participantes).
Parte receberá apoio para conseguir um emprego formal e outros integrarão uma cooperativa de jardineiros (o projeto já inclui treinamento em jardinagem e paisagismo).
A secretária diz que aqueles que não tiverem desejo de continuar no De Braços Abertos poderão ser desligados para dar oportunidade a outras pessoas.

Renda fixa

Francisco Nazareno Moreira dos Santos, de 41 anos, participa da capacitação em jardinagem.
"Antes eu frequentava um albergue, mas era pior porque você entra às 17h e tem que sair de manhã, não pode ficar durante o dia. Agora eu passo a tarde aqui (no quarto de hotel) e não fico lá no fluxo (gíria para o grupo que consome crack na rua)", disse.
"O dinheiro é pouco, não é como o que eu ganhava em uma transportadora antes de cair no crack. Não consigo comprar as roupas que eu quero, mas já consegui levar dinheiro para o meu filho de 12 anos."
A possibilidade de ter uma renda fixa é um dos principais atrativos aos participantes. Mas Francisco também faz críticas.
"Estou nesse programa há três meses e sou um dos caras com menos faltas, tenho só duas. O que eu reclamo é que alguns não trabalham e recebem mesmo assim", diz.
Cerca de um quarto dos beneficiários do programa não consegue cumprir com as horas de trabalho, segundo estimativas oficiais - principalmente pela dificuldade em reduzir o consumo da droga. Mais da metade dos inscritos atuam como varredores de ruas.

Programa 'ao contrário'

A opção pela redução de danos não é unanimidade entre especialistas do setor. Alguns defendem que usuários passem por um período de internação, mesmo involuntária, antes de começar um processo de ressocialização.
Para a psiquiatra Ana Cecília Marques, presidente da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Drogas, é muito difícil garantir que usuários do crack permaneçam em um trabalho antes de passar pelo tratamento médico.
"É uma doença que compromete uma área do cérebro responsável pela função executiva. Para trabalhar ele precisa de abstinência, precisa ficar sem a droga", disse à BBC Brasil.
"O programa da prefeitura começa ao contrário. Começa pela reinserção para chegar ao tratamento. E eu considero que no caso de uma doença maligna como essa a gente não deva proceder assim."
A secretária Luciana Temer, no entanto, diz que não faria sentido dar apenas tratamento de saúde para essas pessoas, caso elas tivessem que voltar a morar nas ruas após a internação. "Estamos criando um vínculo de confiança entre o poder público e os usuários", afirma.
Odimar Reis, assessor técnico de saúde mental álcool e drogas da Secretaria de Saúde, afirma que 22 usuários conseguiram voltar a morar com familiares e que 90 pessoas estão nas ruas da região, fora do programa.
Números oficiais dão conta de que a redução do consumo entre os inscritos no programa teria sido entre 50% e 70%. O consumo médio, que variaria de 10 a 15 pedras por dia, caiu para cinco, segundo a prefeitura.
O dado é contestado por críticos do programa, que afirmam que muitos beneficiários usam a droga dentro dos hoteis, o que dificultaria o controle das equipes de atendimento. Reis diz que mesmo nos hotéis o consumo está diminuindo.

Droga e exclusão

Francisco Nazareno | Foto: Luis Kawaguti/BBC Brasil
Oferta de renda fixa atrai usuários que moravam nas ruas do centro de São Paulo
O psiquiatra Thiago Fidalgo - que é coordenador de assistência no Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (PROAD) da Unifesp, junto ao professor Dartiu Xavier da Silveira, um dos idealizadores do projeto da prefeitura - afirma que com a oferta moradia, renda e trabalho, os usuários já conseguem "uma redução bastante expressiva do consumo de substâncias".
Mas ele ressalta que a ideia original do projeto previa um tratamento médico para os beneficiários - caso eles optassem pelo atendimento -, que atualmente não seria satisfatório.
"O De Braços Abertos é um programa muito inovador no Brasil. Ele encara a droga como um sintoma da exclusão social que a pessoa sofre e tenta resolver as outras vulnerabilidades que o usuário tem sem focar diretamente na droga", disse à BBC Brasil.
"Mas este segundo passo, de oferecer um tratamento especializado para a dependência química, ainda está deficiente", afirma.
Tanto Fidalgo quanto Ana Cecília Marques afirmam que deveria haver também um registro maior de dados sobre a população envolvida no projeto.
"Um programa tão inovador precisa de dados mais científicos para que sua eficácia possa ser avaliada", diz Fidalgo.
Um levantamento feito em 2012 pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas de Álcool e outras Drogas (Inpad) diz que aproximadamente 2 milhões de brasileiros já usaram crack ou oxi pelo menos uma vez na vida.

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14/07/2014

Residência em Psiquiatria forma profissionais na realidade do SUS

Residência em Psiquiatria forma profissionais na realidade do SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) é uma das maiores e mais complexas estruturas de saúde pública do mundo. Atuar no SUS é uma experiência que, além da formação técnica, exige dos profissionais de saúde sensibilidade e conhecimentos específicos. Foi pensando nisso que a Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba lançou este ano a Residência em Psiquiatria. Desde março, um grupo de seis médicos participa da especialização, que tem abordagem comunitária e estratégias voltadas para as políticas públicas em saúde mental.

Com duração de três anos, a especialização é credenciada pelo Ministério da Educação e orientada por psiquiatras da rede municipal. Oferece aos profissionais a vivência no SUS, incluindo atendimentos ambulatoriais, unidades básicas de saúde, de pronto atendimento (UPA) 24 horas, clínica hospitalar, Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Consultório na Rua. “A intenção é formar profissionais com uma concepção de saúde ampliada, que respeita as diversidades e mantém o paciente inserido em seu território, utilizando toda a estrutura do SUS para isso”, explica o secretário municipal da Saúde, Adriano Massuda.

Entusiasta da importância da residência feita no SUS, a psiquiatra Sabrina Stefanello é uma das orientadoras da especialização. “Minha formação em psiquiatria foi hospitalar e não saí preparada para trabalhar em uma rede tão complexa como a do SUS. Aprendi o funcionamento de cada setor na prática e esse é o principal ganho desta residência”, afirma.

Segundo ela, a residência garantirá aos profissionais conhecimento de toda a estrutura da saúde, como cada setor pode contribuir no tratamento dos pacientes e, principalmente, como se comunicar com esses setores. “Enfatizamos muito a importância da comunicação entre os setores e da responsabilidade que cada profissional tem com os pacientes, mesmo depois que ele migrou para outro serviço”, explica.

A médica residente Letícia Santos trabalhou um ano com o Programa Saúde da Família e outro na Marinha antes de iniciar a especialização em psiquiatria na rede municipal de Curitiba. “Aqui tenho a oportunidade de trabalhar com pacientes com as mais diversas necessidades em saúde mental e discutir a melhor forma de atuar em cada uma delas”, diz.

Residência

As atividades são desenvolvidas na forma de treinamento em serviço, por meio da integração ensino-serviço, e os conteúdos envolvem ações de promoção, prevenção e reabilitação individual e coletiva.

Um diferencial do programa de residência é o funcionamento do campo de estágio em um território definido. Os residentes atendem pacientes em dispositivos assistenciais com complexidades diversas dentro deste território e isso permite que construam na prática o trabalho na rede.

A avaliação dos residentes é feita por meio do acompanhamento dos orientadores nas visitas domiciliares, análise de atendimentos, discussão dos casos clínicos, análise de casos, grupo de trabalho, discussão de temas, conceituação teórica e elaboração de trabalhos científicos e projetos de intervenção.

Criança e Adolescência

A Secretaria também está ofertando desde o início deste ano a subespecialidade de Psiquiatria Infantil e da Adolescência. Com um residente, esta especialidade – que  equivale ao quarto ano de psiquiatria – se propõe a aprimorar os conhecimentos clínicos do médico residente para oferecer um atendimento ainda mais especializado na área da saúde mental para crianças, adolescentes e familiares e também otimizar o trabalho intersetorial com todos os envolvidos na reabilitação da criança e do adolescente e no fortalecimento da rede de apoio como a família, escola, unidades básicas de saúde, locais de abrigo e conselho tutelar.

“Para cuidar de crianças e adolescentes é essencial uma abordagem diferente da utilizada com os adultos. Aprender essas diferenças e sutilezas no tratamento faz uma grande diferença na sua efetividade”, conta Andrea Stachon, orientadora da subespecialidade de Psiquiatria Infantil.

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11/07/2014

Justiça suspende contrato de hospital na Cracolândia

Justiça suspende contrato de hospital na Cracolândia

Fabiana Cambricoli - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - A Justiça de São Paulo determinou nesta quinta-feira, 10, a imediata suspensão do contrato de R$ 114 milhões firmado entre a Secretaria Estadual da Saúde e a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) para a administração de um hospital para dependentes químicos na Cracolândia, região central de São Paulo.
A decisão, de caráter liminar, acatou o argumento do Ministério Público Estadual (MPE) de que a parceria configura conflito de interesse, uma vez que a SPDM é presidida pelo psiquiatra Ronaldo Laranjeira, que também exerce o cargo de coordenador do programa de combate à dependência em crack do governo do Estado.
O pedido de suspensão foi feito pelo promotor Arthur Pinto Filho em ação civil pública ajuizada na semana passada. O documento foi resultado de um inquérito civil aberto em abril, após reportagem do Estadomostrar que a SPDM, mesmo presidida pelo coordenador do programa estadual, havia sido escolhida pela secretaria para gerir a unidade de saúde.
Além de determinar a imediata suspensão do contrato, o juiz Valentino Aparecido de Andrade, da 10.ª Vara da Fazenda Pública, proibiu a pasta de fazer mais repasses para a SPDM. De dezembro de 2013, quando o contrato foi firmado, até abril, quando o MPE iniciou a investigação, mais de R$ 7 milhões foram repassados para a entidade para a reforma do prédio, o que, para o magistrado, “caracteriza situação emergencial a impor o controle do dinheiro público”.
O juiz acatou a tese da promotoria de que o contrato fere o princípio da impessoalidade, ao misturar interesses públicos e privados. “A jurisprudência tem considerado haver ofensa ao princípio da impessoalidade quando o Poder Público contrata uma entidade particular da qual é integrante agente público que detenha atribuições funcionais que lhe deem algum poder privilegiado de conhecimento, ou mesmo de ação direta com influência sobre a formação do ato administrativo ou de sua execução, como parece ter ocorrido no caso presente”, diz Andrade em sua decisão.
Para o juiz, o ofensa a esse princípio ganha consistência se analisadas as circunstâncias que envolveram a escolha da SPDM para administrar a unidade. Para Justiça e promotoria, é possível que a entidade tenha tido acesso privilegiado a informações por ter Laranjeira em seus quadros. 
A investigação da promotoria mostrou que a entidade já tinha conhecimento sobre o projeto do hospital no início de novembro. O edital de convocação de entidades interessadas em participar da concorrência para gerir a unidade só foi publicado, porém, no fim daquele mês e a SPDM foi a única a apresentar uma proposta.
Recurso. A Secretaria Estadual da Saúde informou que ainda não foi notificada sobre a decisão liminar, mas afirmou que vai recorrer da decisão da Justiça “por ter plena convicção sobre a lisura do processo de contratação da SPDM”, feito “de forma absolutamente transparente”. Segundo a pasta, o contrato teve parecer legal da Procuradoria-Geral do Estado.
A pasta afirmou ainda que Laranjeira atua como voluntário tanto na SPDM quanto no governo do Estado e que a escolha da entidade para gerir o hospital da Cracolândia foi “absolutamente técnica”.
A secretaria não informou como ficarão as atividades da unidade. Inaugurado no fim do mês passado, o Hospital Recomeço Helvetia, como foi batizado, dispõe por enquanto apenas de um centro de convivência para os dependentes.
A SPDM não respondeu. Anteriormente, a entidade já havia declarado que o contrato foi firmado de forma transparente e dentro da lei.

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20/06/2014

Mãe de britânica de 15 anos que morreu com overdose de ecstasy pede legalização das drogas

Mãe de britânica de 15 anos que morreu com overdose de ecstasy pede legalização das drogas

Anne-Marie Cockburn quer se encontrar com a ministra do Interior, Theresa May, para discutir a regulamentação de drogas


RIO - Uma mãe britânica, cuja filha morreu de uma overdose de ecstasy, quer se encontrar com a ministra do Interior, Theresa May, para discutir a legalização e a regulamentação das drogas. Anne-Marie Cockburn, de 43 anos, quer que a legislação mude na Inglaterra.

A filha de Anne-Marie, Martha Fernback, morreu aos 15 anos de uma parada cardíaca, duas horas depois de tomar 0,5g de MDMA cristalizado, conhecido como ecstasy, em julho do ano passado.
O Tribunal de Oxfordshire apurou que a estudante, da área de Summertown, em Oxford, tinha tomado uma droga 91% pura — a média de pureza nas ruas no país é de 58%.

“Martha queria se drogar, ela não queria morrer. Nenhum pai quer isso, mas uma dessas opções é preferível”, disse a mãe, depois da audiência no Tribunal de Oxford, de acordo com informações do jronal “Telegraph”. “Gostaria de encontrar com Theresa May, Norman Baker e Yvette Cooper para iniciar um diálogo pela mudança, da proibição para uma regulamentação rigorosa e responsável do uso recreativo das drogas. Isso vai ajudar a proteger nossos filhos e levar a uma sociedade mais segura para todos nós, colocando médicos e farmacêuticos, não traficantes, no controle das drogas”.

O médico legista do condado de Oxfordshire, Darren Salter, chegou à conclusão de que a morte de Martha foi acidental.

“O que está claro é que não há maneira de saber do que [a droga] é feita ou qual é seu nível de pureza. Este é um aviso muito forte do que pode acontecer”, disse o legista.

O inquérito ouviu uma amiga que Martha tinha comprado 1g da droga para dividir com a estudante. A amiga, que não pode ser identificada por ser menor de idade, disse, em uma declaração por escrito, que tinha se encontrado com Martha na manhã da morte da adolescente para andar de caiaque em um clube de remo local.

A garota contou que, depois de andarem de caiaque por trinta minutos, as duas foram para o centro da cidade, onde Martha tomou a droga com água. Ela já tinha visto a amiga tomar MDMA pelo menos três outras vezes, e não estava preocupada.

“Eu ficava perguntando como ela estava se sentindo e ela dizia: “É incrível, parece um sonho. Está melhor do que da última vez que a gente tomou”.

A menina lembrou que a amiga estava agindo de forma estranha, suando muito e com as mandíbulas tremendo, como se estivesse com frio. Ela também ficava sentando o tempo todo, durante a caminhada, para descansar. Ao se unirem a outros amigos para almoçarem, Martha disse que queria nadar um pouco em uma piscina aberta perto de onde estavam, para tentar relaxar. Mas assim que a estudante levantou, ela caiu no chão, bateu com a cabeça e perdeu a consciência.

Os serviços de emergência chegaram rapidamente e Martha foi levada ao hospital, onde foi declarada morta uma hora depois do colapso. Um exame concluiu que Martha havia morrido após sofrer uma parada cardíaca provocada pela ingestão do MDMA.

Desde a morte de sua filha, Anne-Marie criou um site e também escreveu um livro chamado “5.742 dias” (o número de dias que Martha viveu) que ela deseja ver em todas as bibliotecas de escolas secundárias dlo país para “abrir os olhos” dos jovens para o perigo das drogas.

Artigo da Globo.com saiba mais aqui.

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